Mostra Labmis 2012

Fototímidos Cesar Garcia

Instalação

Sobre o Projeto

  • Fototímidos /Instalação

    Fototímido é um pequeno robô desenvolvido em projetos de mecatrônica e eletrônica, combinando uma escova, um motor e um circuito controlador de corrente elétrica através da luz. Dessa combinação, surge um robô com movimentos semicirculares aleatórios que foge da luz quando iluminado.

    O projeto repensa a interpretação para a relação entre luz e escuridão que alinha a luz à virtude e as trevas ao vício, e que remonta ao mito da caverna, de Platão - metáfora da alienação do mundo onde a sombra simboliza a ilusão –, e ao Iluminismo, no qual a luz é símbolo da razão. Ao incorporar um certo elemento de humor à experiência imersiva e ao ato de iluminar, bem como ao atribuir características humanas (como o medo e a timidez diante da exposição à luz) a seres inanimados, os Fototímidos tornam-se representativos da condição humana e vêm para reinterpretar esse paradigma simbólico.

    Entre sozinho ou com apenas um acompanhante na instalação para que possa fruir de forma adequada do trabalho. Os robôs são tímidos!

    Instalação
    25 x 500 x 500 cm circuitos eletrônicos, resina, madeira, tinta fotoluminescente

    Orientação conceitual Thaís Rivitti
    Orientação técnica Paulo Nenflídio, Milton Pessoa
    Assistência Pedro Falcão, Nathalia Bevilacqua, Rodrigo Gonzalez e Clara Assumção

    Agradecimentos Cauê Alves, Condomínio Cultural Mundo Novo, Mario Ramiro, Taygoara Schiavinoto

  • Cesar Garcia /Bio

    Cesar Garcia é bacharel em artes plásticas pela USP. Participou do 19º Programa Nascente (USP, SP), do I Salão Xumucuís de Arte Digital (Belém/PA) e do 37º Salão de Arte de Ribeirão Preto (MARP, SP). Em 2011, foi contemplado no concurso Primeira Obra de Artes Visuais do Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo.

  • Texto do orientador /Thaís Rivitti

    Os fototímidos são pequenas criaturas noturnas. Tão logo um raio de luz qualquer esbarre em seu corpo, eles saem correndo, escondendo-se na escuridão. São bichos estranhos, medem aproximadamente quinze centímetros, têm uma couraça dura e lisa e incontáveis pés. Não têm cabeça, nem antenas, nada que indique qual é sua parte dianteira e traseira. Podem ser rápidos, mas nunca como os leopardos. Podem ser lentos, mas não tanto quanto uma lesma, por exemplo. Andam em velocidade retilínea uniforme. Tudo indica que são cegos, pois batem nos obstáculos que aparecem em sua frente. Habitam museus e ateliês, nunca foram encontrados fora de cativeiro. Supõe-se que a espécie seja nova, fruto talvez de um cruzamentos entre centopéias e tatus. Dos tatus, os fototímidos guardam a couraça dura. Das centopéias, os múltiplos pés. Desnecessário dizer que pouco se sabe sobre eles: O que comem? Como se reproduzem? Quais são seus hábitos? Até hoje, ninguém conseguiu apanhá-los para poder aprofundar esses estudos.

    Ao criar os fototímidos durante sua residência no MIS, o artista César Garcia dá continuidade a uma pesquisa que, já há algum tempo, junta arte e eletrônica com o forte objetivo de alcançar para si um público amplo, formado não apenas por especialistas e estudiosos de arte. A instalação que ele apresenta propõe uma interação com o público, que entra num recinto fechado e escuro munido de lanternas. Ao tentar iluminar a sala, no entanto, as pessoas percebem que ali encontram-se “seres”, os fototímidos, que reagem a luz da lanterna fugindo. Assim, a experiência do público é a de tentar encontrar no escuro esses pequenos objetos que se movem e revê-los por um instante, antes que fujam novamente.

    Por um lado, César dá continuidade à ideia fantástica, já bastante explorada, sobre a existência de seres inanimados que, surpreendentemente, são dotados de uma vida interna. Ideia que fascina os homens – e sobretudo as crianças – e que rendeu inúmeras obras. Emília, a boneca de pano, do Sítio do Pica-pau amarelo de Monteiro Lobato. O filme Toy Story, sucesso da Pichar, em que os brinquedos ganham vida longe dos olhos dos humanos. Num universo menos infantil, a ideia encontra-se, ainda que um pouco modificada, nos relatos de imagens de santos que choram, no retrato de Dorian Gray, quadro que envelhece enquanto o dono permanece jovem, e em muitos outros casos.

    Esse, digamos, recurso, sem dúvida, cumpre o papel de cativar um público amplo, algo bastante caro a César, ao incitar sua curiosidade levando-o a imaginar em tudo aquilo que ocorre quando não estamos por perto. Mas do ponto de vista das artes plásticas, propriamente, talvez não seja essa vida interna, misteriosa e fantástica o que mais interessa nos trabalhos. A instalação também toca em questões importante para o debate contemporâneo como: O que acontece com a produção do artista quando ela não é vista? Como pensar o espaço do ateliê não como espaço de bastidor, mas como possibilidade de ver uma obra em processo? Os fototímidos parecem representar esse inacabado, a experiência em processo, o que ainda não está pronto para ser visto, mas que como o trabalho cotidiano do artista, não para de se mover.