Mostra Labmis 2012

{trapezios} Eduardo Soares

Instalação

Sobre o Projeto

  • {trapezios} /Instalação

    A partir do vídeo que mostra o processo de criação da obra, e das maquetes, que permitem uma contextualização espacial, o artista apresenta o projeto {trapezios}. Desenvolvido durante a Residência LABMIS, a obra investiga a possibilidade de uma relação entre o corpo do artista – imerso em movimentos aleatórios e não programados do circo –, o espaço e o tempo, elementos que acabam por desenhar formas transitórias e efêmeras projetadas no espaço e codificadas pela plataforma Processing. Trazendo em seu nome as chaves {}, que na matemática indicam um conjunto de elementos ou de coordenadas, e na linguagem de programação são constantemente utilizadas para conter um bloco de códigos, a obra apresenta uma coexistência corpo-trapézio-código capaz de compor um novo organismo, cujo comportamento sofre transformações em função das interações entre suas partes.

    Instalação (em protótipo)
    30 x 30 x 60 cm
    papel, ABS e poliamida

    Orientação conceitual Clarissa Sampaio e Breno Caetano
    Orientação técnica Breno Caetano , Marcel Castells
    Luz Pâmola Cidrack
    Música Glauco Leandro

  • Eduardo Soares /Bio

    Eduardo Soares é arquiteto e trabalhou em escritórios em Londres, Xangai, Fortaleza e Rio de Janeiro. Explorou também o campo do design e da cenografia, bem como as artes circenses e as experimentações artísticas, buscando as ferramentas e possibilidades para construir um pensamento interdisciplinar.

  • Texto do orientador /Clarissa Ribeiro

    Entre as referências de uma arquitetura que pensa o espaço a partir da lógica cibernética da comunicação e do controle, e a transitoriedade do universo mutante e fantástico do circo, um malabarista-arquiteto articula sistemas de realidade. Em um picadeiro transcendente, algoritmos genéticos mixam os movimentos aleatórios e não programados do corpo suspenso no trapézio com sombras eletrônicas projetadas no espaço do museu. E é essa alternativa, a do não planejamento da performance, que nos remete ao pensamento de Adorno, à consideração de que as habilidade do corpo, não são apenas complemento da arte mas, na medida em que são adquiridas sem objetivo ou intenção, são modelo para a arte e, ainda, seu segredo mais bem guardado. O corpo é partido para o design genético de formas transitórias – arquitetura casada com o tempo, efêmera e metamórfica. É possível imaginar uma performance do artista, numa aventura hipotética, se equilibrando nos grandes vãos entre as gruas do Fun Palace de Cedric Price, onde – “Moveables walls, ceilings and floors form auditorium, theatre and playground areas, some of which are suspended from truss beams overhead. Above these, runs a travelling crane used for assembrling and transporting parts.” (PRICE, 2003) É possível juntar, nessa aventura hipotética, elementos visuais da Literatura de Cordel – céus estrelados em noites de lua cheia; em noite de lua crescente… em dias de muito sol. E na aventura poética, da elaboração do trabalho, o artista se coloca como nômade imerso no exercício de revisitar todos os caminhos percorridos, revisitar os nós nas bifurcações, anteriores às escolhas que definiram futuros possíveis. A lógica fantástica circense interfere na construção e adaptação de estruturas de código na plataforma Processing. O pensamento estrutural da Arquitetura define a abertura e o fechamento de um sistema em que os movimentos dos corpo lidos por sensores, processados e traduzidos via código, desenham tempo e espaço e são influenciados pelo espaço-tempo dinâmico dessa forma co-produzido. A obra deixa ao acaso a possibilidade de promover encontros sensórios. O passar do tempo, dependente do mover-se; a observação visual atuando na geração da forma em tempo real. Nas memórias do artista, com as quais pode construir futuros por comparação, o trapezista do conto de Franz Kafka, exponenciado, se desdobra entre várias paixões.

    Referências:
    KAFKA, Franz. Um Artista do Trapézio. In: A Colônia Penal e outros Contos. Tradução de Torrieri Guimarães. Rio de Janeiro: Ediouro, 1986.
    PRICE, Cedric. Re:CP. Basel: Birkhauser, 2003.