Mostra Labmis 2012

Paisagens Trospocópicas Paula Dager

Instalação

Sobre o Projeto

  • Paisagens Trospocópicas /Instalação

    O projeto partiu da investigação de suportes não convencionais para a projeção de imagens em instalações multimídia, ligando, desta forma, as novas tecnologias às bases da ótica que originaram o cinema, e inter-relacionando os processos de captação, edição e projeção de imagens à busca de um efeito panorâmico tridimensional. Partindo desse conceito, a artista desenvolveu o Troposcópio, um aparelho ótico em forma de globo que retroprojeta a partir de seu centro imagens em 360 graus, imagens estas que foram captadas em todas as direções por meio de uma câmera acoplada a um dispositivo acima da cabeça. Essas imagens que buscavam desvendar as paisagens urbanas por meio de passeios feitos de bicicleta, carro ou a pé compuseram as Paisagens Troposcópicas, uma narrativa audiovisual formada por animações sobrepostas que criam pequenas deformações de uma realidade composta por muitas dimensões que podem ser experimentadas pelo espectador. Videoinstalação

    90 cm de diâmetro, 40’, loop

    Orientação conceitual Daniela Kutschat
    Orientação técnica Maurício Lourdes
    Colaboração e música Rui Veiga


    Agradecimentos Dado Amaral, Thiago Rocha Pitta, Visual Farm

  • Paula Dager /Bio

    Paula Dager é artista multimídia, graduada em pintura pela UFRJ em 2001. Durante a faculdade, interessou-se por animação experimental. Seu curta-metragem VRRUUUMMM!! foi premiado no Festival Primeiro Plano (MG) e foi finalista do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro 2003. Participou das exposições coletivas Personal DJ – Arquivo de retratos Sonoros no Museu da República, Rio de Janeiro, e Ócio, no MAC de Niterói.

  • Texto do orientador /Daniela Kutschat Hanns

    Desenho, animação e vídeo auxiliam Paula Dager a projetar o que não existe e lançar ideias. No projeto proposto para a Residência LABMIS 2012, suas metas eram claras “criar deformações de realidade, instaurar pequenas fantasmagorias contemporâneas e explorar o uso da tridimensionalidade em projeções”. A partir de tais objetivos, o trabalho de Paula Dager se construiu, ao longo dos três meses da Residência, na intersecção de ações simultâneas e convergentes: a) o registro e a observação atenta do ambiente urbano, de fluxos e fixos que, posteriormente se tornaram agentes de narrativas audiovisuais, compostas de um híbrido de técnicas de composição e edição de imagens captadas, desenhadas e animadas; b) o desenvolvimento de dispositivo para captação panorâmica audiovisual de imagens; c) o desenvolvimento de suporte tridimensional de projeções audiovisuais, o troposcópio* e d) a construção de ambiente para projeção.

    Paula teceu, em conexões projetuais simultâneas, por exemplo, o desvendar e descortinar a cidade como suas histórias, memórias e paisagens ao pedalar de um flaneur, cujo olhar é amplificado por uma objetiva acoplada ao capacete: um terceiro olho (inspirado nos olhos mágicos das portas de entrada das casas) - uma câmera hd com lente grande angular capaz de registrar um holos panorâmico de forma dinâmica, algo que o olhar despido desse terceiro não captaria.
    Dentre as conexões tecidas, não há como dissociar o processo de captar, de editar e de projetar imagens audiovisuais, visto que o sistema de captação construído está diretamente relacionado ao sistema de projeção idealizado: um globo de cerca de um metro de diâmetro que lembra uma luminária japonesa e que retroprojeta, a partir de seu centro, um audiovisual em 360º. O sistema, seu formato e a dimensão garantem a projeção panorâmica tridimensional que induz o espectador a se deslocar para enxergar outros pontos da imagem projetada de dentro do corpo esférico que cobre a totalidade de sua superfície curva. Nesse modelo de projeção, se comparado a superfícies planas, o corpo do espectador é envolvido em uma outra forma de ver, aqui o espectador é chamado a explorar, mover-se ao redor da superfície de projeção para desvendá-la.

    O que se vê, não é o que se vê, é o que se tateia (se presume e se associa no vai e vem do corpo e das imagens), é o que se percebe e se tece como narrativa diante do corpo esférico que emite imagens-luz.

    Os registros da cidade são Leitmotiv para deformações de realidade e de pequenas fantasmagorias contemporâneas. O corpo “pedalante” gerador de imagens, amplificado por um terceiro olho captador panorâmico, produz algo que se assemelha a rastros: imagens que evocam imagens, lembram edifícios, parques e passagens da cidade em constante deformação. Espaços curvos se afastam e aproximam conforme pontos de fuga que se atualizam a cada instante, a cada pedalada, a cada mudança de rumo. Em alguns momentos, o espectador percebe que há alteração ou algum contraponto espaço-temporal, que o “pedalante” deu lugar ao “caminhante” com chapéu de palha ou ao motorista de carro. Ao mover-se e, portanto, ao explorar as projeções, o espectador pode vir a descobrir que, por exemplo, junto à oca, estruturas robóticas autônomas se deslocam em ritmo lento ou ao longo do minhocão, seres e plantas atravessam as escalas de edifícios e fazem parte de uma paisagem urbana inverossímil e fantástica.

    O preciso trabalho de Paula Dager, desenvolvido na Residência em 2012 e apresentado na presente mostra, atualiza, para o século XXI, o propósito de inventores dos primórdios do cinema que utilizavam toda a sorte de recursos e projetavam equipamentos e inúmeras traquitanas para lançar o espectador em outras dimensões e realidades.

        A luminária batizei de Troposcópio, aparelho ótico para projeção em 360º. Queria algo ligado a palavra "trópicos" pois é onde a imagem se forma na esfera e com os aparelhos óticos. Trópicos (do grego "tropikos") significa "uma volta completa". Um tropo (do grego трόттος ou tropos, do verbo trepo, “girar” e um tropo também pode ser uma metáfora. (PAULA DAGER, email de 02 de setembro de 2012)