Mostra Labmis 2014

Estruturação

MARCELO FONTANA

Videoinstalação

Sobre o Projeto

  • Estruturação /Videoinstalação

    O trabalho de Marcelo Fontana busca outros significados para os registros de viagem ao elaborar uma delicada instalação que reúne slides e fotografias tiradas por duas gerações de uma mesma família – a sua – em seus projetos de desbravamento cultural. Apropria-se de retratos e paisagens fotografadas pelo avô, em viagens à Europa durante os anos 1960 e 1970, e os articula aos seus próprios registros produzidos nos anos 2007 e 2008, destruindo em ambas as capacidades documentais da experiência.
    As camadas de fotografias de um mesmo lugar (em tempos diferentes) que o artista sobrepõe não geram uma certeza ou reconhecimento imediato daquela cena, pelo contrário, como nos palimpsestos, geram confusão, dúvidas e incertezas.

    Videoinstalação
    4’
    3 x 3 x 6 m
    Orientação Mirtes Marins de Oliveira

  • Marcelo Fontana /Bio

    Marcelo Fontana nasceu em 1989, em São Paulo, onde vive e trabalha. Fotógrafo e artista, trabalha com discussões sobre as inúmeras relações entre a imagem e o ser humano. Bacharel em fotografia pelo Senac São Paulo, participou de exposições em São Paulo e Vitória. É artista do grupo Atêlie Fidalga desde 2012 e colaborador do coletivo Panela da Pressão, voltado para o fomento da cultura e integração artística.

  • Texto do orientador /Mirtes Marins de Oliveira

    O trabalho de Marcelo Fontana busca outros significados para os registros de viagem, ao elaborar uma delicada instalação que reúne slides e fotografias tiradas por duas gerações de uma mesma família – a sua – em seus projetos de desbravamento cultural. Apropria-se de retratos e paisagens fotografadas pelo avô, em viagens à Europa, durante os anos 1960 e 1970, e as articula aos seus próprios registros produzidos nos anos 2007 e 2008, destruíndo em ambas as capacidades documentais da experiência.

    As imagens produzidas por Fontana evocam a metáfora dos palimpsestos, que eram, em sua origem, pergaminhos raspados para possibilitar a reutilização do suporte na inserção de novos textos. Na sobreposição ou na justaposição das projeções das fotografias – suas e de seu avô – a mescla de imagens familiares é também um amálgama, mostruário de um museu imaginário do viajante, no qual são apresentadas as cidades, seus monumentos turísticos, seus personagens típicos e a presença eventual do turista atestando que "esteve ali". Mas, torna inevitável a pergunta: em que medida as fotografias produzidas em viagens são únicas e correspondem à uma sensibilidade singular de seu autor?

    Na contra-mão dessa percepção, Fontana elabora ambientes nos quais transforma o registro mecânico da experiência vivida em viagens, em experiências sensíveis. Mesmo assim, as camadas de fotografias de um mesmo lugar (em tempos diferentes) que o artista sobrepõe, não geram uma certeza ou reconhecimento imediato daquela cena, pelo contrário, como nos palimpsestos, geram confusão, dúvidas e incertezas. As cidades, seus monumentos turísticos, seus personagens típicos e a presença eventual do turista atestando que "esteve ali". Mas, torna inevitável a pergunta: em que medida as fotografias produzidas em viagens são únicas e correspondem à uma sensibilidade singular de seu autor?