Residência Artística 2015

Douwe Dijkstra Holanda

Bio

Douwe Dijkstra graduou-se em 2005 no ArtEZ (Instituto de Artes de Zwolle). Seu trabalho de conclusão da graduação The Washing Machine (A Máquina de Lavar, em tradução livre), recebeu diversos prêmios. Desde então têm participado em projetos experimentais ou de natureza inquisitiva, variando de clipes musicais e curtas à vídeoinstalações e teatro.

Em 2008, conjuntamente a dois outros colegas, fundou o Coletivo 33 1/3 que trabalha, essencialmente, em produções teatrais que dependem de projeções, filme e animação em suas peças. No ano de 2013 trabalhou em sua primeira exibição solo, DoorDouwe.

O projeto

Assembler

“Assembler” consegue ser um projeto inovador, mesmo utilizando-se de formatos artísticos já saturados, como a vídeo instalação. Dijkstra consegue, ao unir o fenômeno found footage às montagens encenadas em estúdio, transitar entre o documental e o ensaiado, de forma magistral, impelindo o observador a sempre questionar a “realidade” das imagens. Em questões técnicas, o projeto “Assembler” se encaixa perfeitamente aos espaços físicos do MIS. Outro diferencial do projeto de Dijkstra que nos chamou atenção foi sua relação intrínseca entre espaço urbano e seus habitantes, que se reflete em sua instigante forma de criar em cima de imagens. Dijkstra propõe um novo fôlego artístico através da re-apropriação de formas artísticas saturadas, propondo-lhes novas características e modos de exploração.

Processo Work in Progress

Texto crítico

Por Carol Lopes

Em um momento da atualidade onde somos bombardeados por imagens, seja através de veículos midiáticos, ou até mesmo pela própria indústria do entretenimento, como o do cinema, algumas ferramentas ou recursos são plataformas de reflexão para alguns artistas. O vídeo artista e filmaker Douwe Dijkstra, emprega procedimentos utilizados tradicionalmente na construção de cenas cinematográficas com um outro propósito, o de discutir tais metodologias de forma poética no campo da Arte

Em seu mais novo projeto, o work in progress Green Screen Gringo, desenvolvido no LAB MIS, Dijkstra parte do tradicional efeito chroma key, utilizado no cinema, para discutir o próprio estatuto da imagem. Em uma operação que inicialmente subverte o efeito, originalmente usado em estúdios, o artista leva o chroma key para o espaço aberto, onde um fragmento na cor verde, utilizado nesse recurso, cria novas relações e interações com o outro. Sua operação se apresenta como um ato performático, aquele fragmento verde que está sempre sendo carregado por alguém, que hora pode ser o próprio artista, ou outro sujeito, pouco importa. O que importa é que aquele fragmento verde, assume um papel próprio de um personagem protagonista daquela paisagem/imagem. O elemento verde tem um papel de separar o objeto que ele está por trás da cena, para dar destaque a um momento diário que normalmente se passa desapercebido ao olhar em nosso cotidiano. Em alguns momentos a fusão da imagem nos traz uma relação entre o urbano com o não urbano.

Green Screen Gringo, parte de uma ação performática mas seu lugar é a vídeo arte. Podemos até tomar como ponto de reflexão uma performance para vídeo, definição utilizada pela artista sérvia Marina Abramovic para alguns de seus trabalhos, como por exemplo “The Onion” (1996), onde a artista aparece comendo uma cebola. Todo o pensamento está voltado para uma ação que foi gravada, para ser depois exibida ao público.

Em alguns momentos do vídeo, vemos o uso do recurso realizado em pós produção, no qual o artista insere novas imagens, procedimento ao qual se destina o efeito chroma key, mas em grande parte das cenas nada surge. O que está sendo evidenciado como protagonista é o próprio recorte verde, que o artista nos apresenta, ou ainda é o que está na frente dele?

Tal procedimento realizado por Dijkstra, usando da próprio elemento de construção do vídeo como protagonista, ressignificando ferramentas da linguagem como assunto, atualiza formas já trabalhadas na própria história da vídeo arte, e nos remete claramente a muitos dos projetos desenvolvidos pelo artista sul-coreano Nam June Paik (1932 – 2006). Tomamos como exemplo T”V Buda” (1974), obra onde o artista coloca sobre uma base a escultura de um buda que está sendo filmado por de uma câmera de vigilância, e dispõe no local um aparelho de TV com a imagem AO VIVO da cena captada.

O uso do chroma key, não como ferramenta tradicional, onde imagens podem ser adicionadas de forma falsa, mas sim se apropriando de seu recurso como poética, atualiza em síntese de imagem o pensamento de Paik, "A arte é pura fraude" *





* Nam June Paik: Videa 'n' Videology 1959-1973, publicado pelo Museu de Arte Everson, Syracuse, Nova Iorque, 1974.