Residência Artística 2015

Patricia Passos

Bio

Patricia Passos natural de Fortaleza, trabalha com cenografia em projetos voltados a teatro e cinema. Graduada em Arquitetura (UNIFOR ), pós-graduada em Design de Interiores ( Senac – SP ) e mestre em Arquitetura, Arte e Espaços Efêmeros, pela Universidade Politécnica da Catalunha. Dedica suas pesquisas e trabalho à instalações e performances que discutem a conexão entre cidades e indivíduos.

O projeto

Identifico-me Xeno

Em nossa era líquido - moderna; onde as relações interpessoais são fluídas e velozes, o mundo, segundo Zygmunt Bauman ( 2005 ), está repartido em fragmentos. Nossas existências individuais são fatiadas numa sucessão de episódios, possíveis de serem relacionados, usados por nós para inventar, e reinventar, nossas identidades, que são então estabelecidas por conexões de “pertencimento” ou “familiaridade de ideias”. Somos indivíduos conscientes da dinâmica desse processo multável de "autoidentificação “ ?

Como sociedade somos regidos por leis derivadas de um sistema político-cultural, que reconhece a unidade da humanidade pela simples condição de sermos seres humanos. Temos como grande desafio defender a convivência pacífica entre os indivíduos e o respeito à autoafirmação, enquanto mantemos a liberdade de escolha e a unidade apesar da diferença. Será isso apenas uma utopia? São Paulo é como essência um hábitat permissível e ambivalente; cidade onde múltiplas identidades coabitam. Será esse cenário um exemplo de sociedade tolerante ou um fenômeno reconhecido pelas fronteiras ocultas definidas entre seus habitantes?

Identifico-me Xeno tenta responder essas questões através da investigação do individuo que escolhe compor a grande São Paulo.

Texto crítico

Por Myrna de Arruda Nascimento

Identifico-me Xeno convoca e discute, em amplo espectro, a sensação do “ser” diferente, oriundo de geografia que não aquela ocupada por um “eu” primeiro, que se entende anterior, autêntico, e melhor que qualquer indivíduo de origem diferente da sua, pelo simples motivo de não reconhecer a possibilidade de compartilhar seu espaço ou condição, em qualquer esfera ou dimensão, com o/um outro.

Patrícia de um lugar diverso da cidade em que vive e sobrevive, a autora seleciona testemunhos e revelações que ora denunciam, ora reverberam, experiências comuns, em tangências pontuais e flagrantes intersecções.

“Um” disseminado em “todos”. O “ser” humano, em temporalidade infinita, fragmentado, equalizado, diverso e despersonificado.

Na espacialização dispersa, rodeado da presença de ausentes, ativados pelo passo distraído do visitante em campo minado, o preconceito latente da fobia excludente presentifica-seem uma única identidade.

Processo Work in Progress