Residência Artística 2017

Giovanna Casimiro e Tatiana Tosi

Giovanna Casimiro e Tatiana Tosi
Bio

Giovanna Casimiro: é doutoranda pela FAU/USP, além de pesquisadora, gestora e docente, com foco em museus interativos, patrimônio e memória, smart cities e imersão. É professora no curso de bacharelado em design digital (Centro Universitário Senac), atua como curadora e assessora de projetos em design de interação e culturais que envolvem tecnologia digital.



Tatiana Tosi: é pesquisadora de tendências e comportamentos sociais digitais. É pós-graduada em marketing pela ESPM e especialista em inteligência competitiva nas redes sociais pela GV. É professora de netnografia – comportamento do consumidor digital no ILADEC (Campinas) e no Programa de Educação Continuada Business Intelligence da GV.

O projeto

Museu dos Outros

Museu dos Outros é um projeto guarda-chuva que teve início na Residência LABMIS e apresenta imagens feitas por aqueles que consomem o conteúdo dos museus, propondo uma exposição a partir do acervo dos outros, que hoje são os verdadeiros legitimadores do que se vê: o coletivo fala por si através das redes sociais. Trata-se de um acervo open source que contribui para a história do futuro e a identidade do presente a partir da pesquisa sobre o cenário atual de geração de imagens, da revisão hierárquica no campo da legitimação da memória e do estudo da coletivização da criação de imagens, em uma dinâmica individualizada da experiência cultural/urbana/do espaço. Quase em um estado de antropofagia institucional, o museu é consumido pelos seus visitantes, que são consumidos pelo museu, na criação de uma coleção feita pelos “outros”.

Videoinstalação e fotografias

Orientadores:
Diogo Luiz Rodrigues Costa
Jefferson Prestes de Oliveira Barbosa
Tania Fraga

Texto crítico

Tania Fraga

Museu dos outros surgiu da busca de entendimento dos processos coletivos de construção de uma memória digital aliada à atual compulsão pelo registro e pela obsessão existente por arquivar memórias efêmeras do momento presente, o qual se esvanece como nuvens passageiras.

Foi a procura de compreensão sobre essa necessidade contemporânea de “prender” esses momentos transientes através do registro que deu origem à obra Museu dos outros. Esse processo aconteceu ao longo da Residência LABMIS no Museu da Imagem do Som (MIS) de São Paulo. Essa obra trabalha com imagens postadas no aplicativo Instagram a partir de procedimentos específicos, tais como hashtags e beacons (dispositivos de interação utilizando bluetooth) instalados no MIS. Tais inputs permitiram a construção de um novo acervo a partir do acervo existente do Museu, cujos visitantes evidenciam um engajamento coletivo calcado na reinterpretação do espaço expositivo através das redes sociais.

O desejo de realizar curadorias e de ser curador de exposições aponta para o fetichismo existente relacionado com o museu contemporâneo e seu desdobramento enquanto objeto de exposição. Assim, Museu dos outros busca apresentar um ponto de vista crítico ao processo de autofagia das nossas memórias e da sua autoexposição. Dessa forma, o museu parece tornar-se objetificado, cada dia mais, enquanto nele instala-se um processo autotélico de autorreferenciar-se como acervo de si mesmo, refletindo, talvez, o desejo coletivo de “museulizar” e de “espetacularizar” o mundo. É esta a perspectiva que fundamenta a pesquisa de Giovanna e Tatiana, a qual discute a possível condição dos museus contemporâneos tornarem-se ferramentas panópticas da atualidade ao serem capturados, redesenhados e repensados segundo interesses corporativos digitais e estéticas padronizadas.

Em sua pesquisa, as artistas formulam questões pertinentes a esse panorama: Que museu é esse que vive da reexposição de si mesmo? Que visitantes são esses que obsessivamente registram seu quotidiano em uma dinâmica de arquivamento, curadoria e exposição em tempo real? Que desejo é este de capturar o museu em tempo real?

Para responder a essas questões ela apresenta uma instalação como espaço de provocação sobre o limite do desejo de captura do presente e do fetichismo contemporâneo associado aos museus. Desse modo ela gera discussões sobre como construir um autêntico “Museu dos outros” que venha superar as engessadas amarras institucionais extremamente limitadas por opções estéticas pré-estabelecidas e totalmente anacrônicas.

trezeMARIAS busca, então, abrir as portas e janelas daqueles antigos casarões. Porém, trata-se de um dar a ver subjetivo, um espiar pelas beiradas, que não procura fechar-se em uma única experiência. Pode-se observar que a instalação apresenta diferentes perspectivas para refletir sobre os vestígios da memória. A memória destas senhoras aqui apresentadas, de seus corpos, dos quartos onde vivem, dos objetos que estão lá. A memória das paredes, das casas, da cidade, seu patrimônio arquitetônico, visual e cultural. A memória processual do próprio trabalho de Vanessa. E, por fim, as sobreposições de todas essas camadas junto a memória do público que visita a instalação.

Processo Work in Progress